
O congelamento de óvulos tem se tornado uma ferramenta essencial na preservação da fertilidade. Porém, existem dois cenários muito diferentes em que esse tratamento é indicado: o congelamento preventivo de óvulos, realizado por escolha antes de qualquer problema surgir, e o congelamento oncológico, recomendado quando a paciente recebe o diagnóstico de câncer e precisa iniciar tratamentos que podem comprometer sua reserva ovariana. Embora tenham o mesmo objetivo (preservar as chances futuras de gravidez) cada modalidade traz particularidades importantes.
O que é o congelamento preventivo?
O congelamento preventivo é indicado para mulheres que desejam adiar a maternidade. A partir dos 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem com maior rapidez. Esse processo é natural, mas pode impactar diretamente nas chances de uma gestação saudável no futuro.
Nesse contexto, o congelamento preventivo é um planejamento. Ele permite que a mulher utilize, futuramente, óvulos jovens, reduzindo o risco de alterações genéticas relacionadas à idade e aumentando as chances de sucesso em uma FIV.
Principais indicações
- Adiar a maternidade por motivos profissionais, pessoais ou relacionais;
- Histórico familiar de menopausa precoce;
- Baixa reserva ovariana detectada precocemente;
- Desejo de diminuir os riscos ligados ao avanço da idade.
O que é o congelamento por indicação oncológica?
Quando uma paciente recebe o diagnóstico de câncer, especialmente em mama, ovário, linfoma ou tumores que exigem quimioterapia e radioterapia, o tratamento pode causar danos irreversíveis aos ovários. Por isso, o congelamento de óvulos é considerado uma urgência reprodutiva. A diferença é que, nesses casos, o processo deve ser realizado em janelas extremamente curtas, antes que o tratamento oncológico seja iniciado. O tempo é um fator determinante.
Por que o tratamento contra o câncer afeta a fertilidade?
- A quimioterapia pode destruir células ovarianas;
- A radioterapia pélvica pode lesar definitivamente os ovários;
- Alguns medicamentos reduzem drasticamente a reserva ovariana.
Por isso, após o diagnóstico, o congelamento de óvulos torna-se parte importante do plano terapêutico, garantindo à paciente a possibilidade de tentar uma gravidez mais tarde.
Principais diferenças entre os dois tipos de congelamento
Tempo
- Preventivo: pode ser programado com calma.
- Oncológico: precisa ser realizado rapidamente.
Objetivo
- Preventivo: preservar a fertilidade por escolha e planejamento.
- Oncológico: proteger a fertilidade diante de um risco iminente de perda.
Abordagem emocional
- Preventivo: envolve autonomia, liberdade e projeção de futuro.
- Oncológico: envolve urgência, acolhimento e apoio emocional intenso.
A importância de campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul
Meses de conscientização reforçam a importância de olhar para a saúde com atenção e de entender que preservar a fertilidade também faz parte do cuidado global com o corpo.
Tanto para prevenção quanto para tratamento, informação é o que permite decisões seguras.
Portanto, o congelamento de óvulos, seja preventivo ou oncológico, é uma ferramenta que devolve à mulher o direito de escolher quando e como deseja buscar a maternidade.
O mais importante é que cada decisão seja tomada com acolhimento, orientação médica e respeito à história individual de cada paciente.
Dr. Wilson Jaccoud
Diretor técnico médico da Fert-Embryo
CRM-SP 41.142 | RQE 130381
