Quando um casal chega ao meu consultório na Fert-Embryo após meses ou até anos de tentativas frustradas para engravidar, é muito comum observar que a mulher já traz consigo uma carga emocional imensa.
Historicamente e culturalmente, o peso da dificuldade reprodutiva sempre foi colocado de forma injusta e quase exclusiva sobre os ombros femininos. No entanto, a ciência reprodutiva moderna mostra-nos uma realidade completamente diferente e que precisa de ser dita com clareza: em cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar, a causa tem origem ou influência direta no homem.
Ao receber o resultado de um espermograma alterado, percebo frequentemente no olhar dos meus pacientes masculinos um misto de surpresa, preocupação e, por vezes, uma sensação de impotência.
A desinformação sobre a Infertilidade masculina ainda é muito grande. O meu papel, com mais de trinta anos de atuação médica em reprodução humana, é desmistificar este cenário. Um diagnóstico de alterações no sêmen não é um veredicto final que impede a construção da sua família. Pelo contrário, é exatamente a partir desta informação clínica valiosa que nós podemos desenhar uma rota segura, médica e altamente tecnológica para contornar o problema.
Na Fert-Embryo, nós olhamos para a fertilidade como uma jornada a dois. A biologia reprodutiva exige uma união perfeita entre o óvulo e o espermatozóide.
Por isso, quero explicar-lhe, passo a passo, como a nossa equipe médica e o nosso laboratório de alta tecnologia avaliam, interpretam e tratam as questões masculinas, garantindo que o seu planejamento familiar seja conduzido com a máxima precisão, ética e cuidado humano que a vossa história merece.
O primeiro passo no nosso tratamento para infertilidade masculina é mudar a perspetiva sobre o diagnóstico. Não procuramos culpados; nós investigamos causas clínicas para oferecer soluções médicas. O fator masculino na gravidez é tão crucial quanto o feminino, e ignorá-lo durante a investigação inicial é um erro que atrasa o tratamento.
Quando o homem recebe a notícia de que os seus espermatozóides apresentam alterações, é normal surgir o medo. Contudo, na biologia reprodutiva, nós não precisamos de milhões de espermatozóides perfeitos para conseguir um embrião saudável num tratamento de alta complexidade; nós precisamos apenas de um, selecionado pela nossa equipe de embriologistas.
O diagnóstico correto e precoce liberta a mulher de procedimentos investigativos desnecessários e permite que o casal concentre a sua energia e os seus recursos no caminho que realmente trará resultados, seja através da otimização de hábitos de vida ou da reprodução assistida.
O espermograma é o exame principal e o ponto de partida para qualquer avaliação da saúde reprodutiva do homem. Mas o que exatamente nós analisamos quando o paciente entrega esta amostra no nosso laboratório? Essencialmente, nós avaliamos três pilares fundamentais: a quantidade (concentração), a motilidade (capacidade de movimento) e a morfologia (o formato físico do espermatozoide).
Um espermograma alterado pode indicar oligospermia (baixa quantidade de espermatozoides), astenospermia (baixa motilidade, o que significa que eles não nadam na direção correta com velocidade suficiente para alcançar o óvulo) ou teratospermia (alterações no formato, como defeitos na cabeça ou na cauda, que impedem a penetração no óvulo).
Muitas vezes, estas três alterações aparecem em conjunto. Além disso, investigamos o DNA espermático, pois a fragmentação elevada deste DNA também é uma barreira silenciosa. Compreender profundamente estas variáveis permite-nos definir se o tratamento será clínico ou laboratorial.
Quando o cenário clínico nos mostra que a fertilização natural ou a inseminação artificial não são viáveis devido a alterações seminais severas, a medicina oferece uma das suas ferramentas mais espetaculares.
É neste exato momento que a técnica de FIV com ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide) se torna a grande protagonista do tratamento dentro do laboratório.
Diferente da FIV clássica, onde os espermatozoides são colocados numa placa junto ao óvulo para que um deles faça a fecundação de forma autónoma, na ICSI nós assumimos o controle absoluto do processo.
Os nossos embriologistas altamente capacitados utilizam microscópios de altíssima ampliação para avaliar a amostra de sêmen. Com uma precisão cirúrgica inigualável, nós escolhemos o espermatozóide com a melhor morfologia e motilidade, capturamos ele com uma micro agulha mais fina que um fio de cabelo e injetamos diretamente no interior do óvulo maduro da parceira.
Esta tecnologia revolucionou a medicina e permite que homens com contagens de espermatozoides criticamente baixas possam ter filhos biológicos.
Apesar de toda a tecnologia laboratorial que possuímos, a qualidade da matéria-prima (os gametas) é fundamental. A Infertilidade masculina está frequentemente ligada a fatores de estilo de vida que podem e devem ser otimizados meses antes de iniciarmos um ciclo de FIV com ICSI.
A exposição constante ao estresse severo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes (que bloqueiam a produção natural de testosterona e de espermatozoides), obesidade e até mesmo a exposição ao calor excessivo na região pélvica afetam drasticamente a espermatogénese.
Como médico, a minha orientação no consultório também passa por este cuidado preventivo e clínico. Suplementação vitamínica adequada, correção de varicocele quando clinicamente indicado e mudanças de hábitos fortalecem a biologia masculina, melhorando a qualidade do DNA espermático que será entregue ao nosso laboratório.
A jornada reprodutiva não precisa ser solitária nem baseada em medos e incertezas. Na Fert-Embryo, a tecnologia e a vasta experiência clínica trabalham juntas para apoiar o casal de forma integral.
Dr. Wilson Jaccoud
Diretor Téc. da Fert-Embryo
CRM-SP 41.142 | RQE 130381
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